Levar a sério a própria conversão

“O homem é pó e ao pó voltará, mas é pó precioso aos olhos de Deus”

O Papa Bento XVI afirmou que a conversão pessoal “significa mudar de direcção no caminho da vida: mas não para um pequeno ajuste, e sim como uma verdadeira e total inversão de rumo”, e convidou os fiéis a levar a sério este tempo de Quaresma.

“Conversão é ir contra a corrente”, explicou, exortando os presentes a abandonarem o actual “estilo de vida superficial”, que leva à “mediocridade moral”, e buscar, ao contrário, “a medida alta da vida cristã”.

O Papa dedicou a catequese da audiência geral de quarta feira de Cinzas, com os peregrinos reunidos na Sala Paulo VI, ao significado das duas fórmulas litúrgicas utilizadas durante o rito da imposição das cinzas, que dá início à penitência quaresmal.

Com relação à primeira das fórmulas, “Convertei-vos e crede no Evangelho”, o Papa afirmou que a conversão é uma “palavra que é preciso considerar em sua extraordinária seriedade”

“O convite à conversão, de facto, revela e denuncia a fácil superficialidade que caracteriza frequentemente nossa maneira de viver.”

“Conversão é ir contra a corrente, onde a ‘corrente’ é o estilo de vida superficial, incoerente e ilusório, que frequentemente nos arrasta, nos domina e nos torna escravos do mal ou pelo menos prisioneiros da mediocridade moral”, explicou.

“Com a conversão, no entanto, indica-se a medida alta da vida cristã e nos é confiado o Evangelho vivo e pessoal, que é Cristo Jesus. Sua pessoa é a meta final e o sentido profundo da conversão.”

Segundo o Papa, a conversão “não é uma simples decisão moral, que retifica nossa conduta de vida, mas uma decisão de fé, que nos envolve inteiramente na comunhão íntima com a pessoa viva e concreta de Jesus”.

“A conversão é o ‘sim’ total de quem entrega sua própria existência ao Evangelho, respondendo livremente a Cristo, quem primeiramente se ofereceu ao homem como caminho, verdade e vida, como Aquele que o liberta e o salva.”

O Papa citou sua Mensagem para a Quaresma, afirmando que “é necessário humildade para aceitar que se precisa que um Outro me liberte do ‘meu’, para me dar gratuitamente o ‘seu’.(...) Graças à acção de Cristo, nós podemos entrar na justiça ‘maior’, que é aquela do amor”.

Com relação à segunda fórmula, “Lembra-te de que és pó e ao pó hás-de voltar”, a Palavra de Deus “recorda-nos a nossa fragilidade, inclusive a nossa morte, que é a sua forma extrema”.

“Frente ao inacto medo do fim, ainda mais no contexto de uma cultura que de tantas formas tende a censurar a realidade e a experiência humana do morrer, a liturgia quaresmal, por um lado, recorda-nos sempre a morte, convidando-nos ao realismo e à sabedoria; mas, por outro lado, ela conduz-nos  sobretudo a acolher e viver a novidade inesperada de que a fé cristã liberta da realidade da própria morte.”

“O homem é pó e ao pó voltará, mas é pó precioso aos olhos de Deus”, afirmou o Papa.

“Também o Senhor Jesus quis livremente compartilhar com cada homem o destino da fragilidade, em particular através da sua morte na cruz; mas precisamente esta morte, repleta do seu amor pelo Pai e pela humanidade, foi o caminho para a ressurreição gloriosa.”

“O pequeno gesto da imposição das cinzas nos revela a singular riqueza do seu significado: é um convite a percorrer o tempo da Quaresma como um mergulho mais consciente e mais intenso no mistério pascal de Cristo, em sua morte e sua ressurreição.”

in ZENIT

 
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